As pesquisas que dizem respeito à criação são benéficas, pois me mantém num estado permanente de ebulição mental. Levei algum tempo para encontrar a minha identidade, neguei a racionalidade da minha formação através das formas orgânicas que foram conquistando o espaço e as cores, esta fase foi essencial para o meu desenvolvimento, a partir dela descobri que aquilo que parece ser simples para mim, apresenta um grau de dificuldade muito grande ao olhar dos outros. Aprendi a valorizar a importância da fatura e a facilidade pessoal na execução. Percebi a necessidade de trabalhar a composição e tirar proveito da utilização da cor. As cores são importantíssimas no meu trabalho, principalmente quando o enfoque é o contraste, apesar de se apresentarem em número reduzido procuro extrair toda a sua potencialidade. Em certas composições defino a princípio qual o contraste a ser apresentado, como por exemplo, o fundo verde com formas geométricas vermelhas, onde o contraste da cor primária com a sua complementar é responsável pela composição do espaço pictórico. Procuro obter a saturação das cores através de sobreposições de camadas fluidas com formas bem determinadas. Sobreposições de velaturas ou linhas definem planos diferenciados e constroem a visão espacial desejada. Às vezes parto de elementos figurativos sintetizados que aos poucos se diluem transformando-se em imagens abstratas. Demoro bastante a procura de uma solução formal, ideal para ser desenvolvida, a partir desta definição a obra flui rapidamente. Calculo o espaço, a composição, a cor, a forma, cada quadro uma maneira diferente de chegar ao resultado, dados isolados que tomam força na compulsão pelo fazer, resumidas na precisão da linha, do plano, do espaço, numa reverência a precisão da vida.
Marinice Costa
Dez/07 |